Me descobri front-end, e agora?

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Como vou explicar aos meus pais que sou front-end? Será que eles irão aceitar? Essas e outras dúvidas se passam na sua cabeça quando você descobre que é isso que quer fazer da vida.

Seus pais sempre suspeitaram de você, por ser diferente, estar sempre naquele computador, fazendo coisas que eles não entendem. Seus amigos não entendem o porquê de você trocar uma festinha depois da escola por horas no laboratório de informática, pesquisando como “hackear” o orkut de alguém, ou, ainda, como mudar a cor do seu “nick” do MSN.

Sua vida começa a ser baseada nisso, compra revistas com CDs ROM cheios de códigos templates, depois, pede para o seu avô um livro de montagem e manutenção, e, descobre que não é aquilo, ainda. Você quer algo mais, então, vai se aventurar no mundo hacker. Agora, vamos usar Linux, aquele sistema operacional que só gente inteligente sabe usar.

me descobri front-end

O início como front-end

Com o tempo, vai aceitando, e, percebe que não é de todo ruim. Mas, será que eles vão entender quando falar que irá fazer um técnico em Informática para Internet? O que eles dirão para os amigos e vizinhos que você faz? Será que eles vão pensar que o filho poderia ser engenheiro, arquiteto, médico, advogado, até compositor, eles entenderiam melhor, mas, você quer “fazer sites”.

O tempo vai passando, e, dividir o Ensino Médio com o Técnico começa a mostrar o que virá pela frente. Enquanto isso, você ainda precisa parecer normal e seguir a vida social, indo em eventos, shows, saindo com a família. Vem, então, o primeiro site. A primeira vez a gente nunca esquece, não é mesmo?

O primeiro site

Você decide colocar “tudo o que aprendeu” em prática, e faz o site ultra-rápido, cheio de interações em JavaScript, trocando o fundo aleatoriamente cada vez que entra na página. Depois, não esqueça da marquee, para parecer aqueles letreiros de lojas que ficam mostrando às promoções.

O site ficou lindo, usando os conceitos mais legais e a melhor linguagem de programação, claro que Python PHP. Sem contar que usa XHTML, o topo das paradas na MTV internê… Fora isso, não podia ter tabelas, afinal, era o tableless que mandava agora. Até a tabela de preço não poderia ser tabela. Faça uma lista não-ordenada e coloque as bordas em cada item de lista que é melhor. #tabelanãomais.

Depois, vem o segundo site. Que coisa, assim eu ficaria mais rico que o Bill Gates num futuro bem próximo. 2 sites em menos de 1 ano, e nem havia terminado o Técnico ainda. Eu era muito bom mesmo! O novo site foi uma landing page, na época, chamávamos de “site institucional”, pois, em breve teria mais conteúdo. E, não poderia esquecer de colocar a “página em construção” com aquela plaquinha de trânsito, para dar um ar mais organizado ao site que receberia centenas de milhares de visitas em poucos dias.

Agora, o Técnico havia acabado, em poucos meses me formaria no Ensino Médio, e teria que entrar na melhor faculdade para fazer o seu novo curso dos sonhos. Jornalismo? Esqueça, vamos primeiro ganhar dinheiro, depois, faria o que sempre desejou fazer: escrever. O curso é Ciência da Computação, ou CCO, como chamávamos. As despesas começariam a aparecer. Em breve teria que buscar o tão esperado Estágio em uma Agência Digital, o lugar onde todos os bons programadores queriam estar. Mas, isso é uma história para outro dia.

Esse texto foi escrito por Brendo Marinho: Github

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